sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ESC # 24

Quando se fala em memória de elefante, estas pessoas não conhecem a memória de um dragão. Uma das poucas criaturas de longo período de vida, podendo alcançar milhares de anos, conseguem manter muitas lembranças e memórias em suas mentes. Um dragão jamais esquece.

Mão há nada maior do que o orgulho de um dragão, e um dragão de orgulho ferido é uma ameaça ainda maior. Mas o que pode fazer Sdarak agora? Sua ambição e cobiça lhe colocou em um jogo entre draconatos, aprendeu a odiar eles, principalmente agora que está sendo caçado pelos “Lanças de Sckharshantallas”. Já não bastava ter de se exilar nas Montanhas Sanguinárias após perder tudo o que tinha?

Os “Lanças” são uma tropa de elite de caçadores de dragões, os melhores que há em todo o Reinado. Especializados em exterminar todo e qualquer tipo de dragão, são altamente respeitados onde quer que estejam, vestindo armaduras com temáticas dracônicas, muitas vezes feitas com as escamas de dragões que eles mesmos derrotaram. Além de empunharem belíssimas armas mágicas poderosas, principalmente contra dragões.

Como pode Sdarak continuar a viver com esta humilhação? O suicídio não traz nenhuma glória para sua morte, então o que fazer? Continuar se arrastando em meio às montanhas, sobrevivendo de migalhas? Ou dar a volta por cima se tornando mais poderoso do que nunca? “Este ser barbado tem bons argumentos”, pensou o dragão.

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Uma cidade segura também a é por evitar com maestria os ataques externos. Sendo a cidade que mais próxima está da malha que separa a Selva Feérica de do Mundo Mortal, nada mais lógico do que ela ser bem fortificada, mas será mesmo? A Selva Feérica possui ameaças tão grandes quanto o Mundo Mortal possui, alguns dizem até maiores.

Enquanto no Mundo Mortal pequenos goblins e kobolds atacam aldeias e vilarejos, na Selva Feérica, os spriggans e myconids fazem o mesmo papel atacando até mesmo cidades. O perigo de se encontrar lobos e tigres no Mundo Mortal é convertido ao se encontrar panteras deslocadoras e tigres espectrais.

A noite cai, mas a atenção não, pois no estado de transe os eladrins continuam atentos. Soa o alarme nas fazendas, os postos de vigília avançados avistam a aproximação de panteras deslocadoras, mas tarde de mais para perceberem que tigres espectrais já estavam bem à frente. As pessoas correm para dentro das cidades à se protegerem, as bestas feéricas avançam implacavelmente em meio às plantações. O medo se instaura.

De cima das muralhas, as tropas eladrins se posicionam com arcos em punho de onde o tenente D’auberville comanda a chuva de flechas em direção às feras. A batalha continua quando a atenção é voltada para dentro da cidade de Avaellor, onde myconids cavaram túneis possibilitando a entrada de spriggans. O combate corpo a corpo se inicia, feroz e violenta, mas bela e graciosa, assim como tudo é na Selva Feérica.

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A alma de Vincent possui muito tempo livre à noite. Não precisando dormir nem descansar, trata-se de uma situação nova, até mesmo estranha para um senhor que iniciou a idade da velhice, não sentir mais as limitações que estava se acostumando a ter de um corpo cansado.

Vasculhando a cidade, sempre se mantendo nas proximidades de onde Ralph está, vê ao longe, nos limites da cidade uma movimentação. Trata-se de uma batalha contra a invasão de criaturas selvagens na cidade, mas que não se espalha, as tropas não deixam a batalha se expandir e derrotam a invasão rapidamente. Vincent até mesmo vê um grande lobisomem no horizonte recuando com as outras feras.

O final rápido da batalha teve outro motivo. A guarda estava de sobre-aviso da chegada de uma caravana de elfos vindos de Cendriane, que ajudaram na defesa da cidade chegando logo após o ataque inicial. Estão apenas de passagem, pois trocarão de turno com os outros elfos do mirante a oeste. Mas não um deles, que está aproveitando a viagem para tentar voltar ao Mundo Mortal.

Entre tantos elfos e eladrins, aos olhos humanos muitos deles podem parecer iguais, mas estranhamente entre tantos rostos, apenas um lhe chama a atenção, um rosto familiar. “Seria ele mesmo? Pensava que seu ex-companheiro estava morto! Malditos nomes élficos!!!” Pensava a alma ao tentar se lembrar do nome.

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Após a fuga de Lomatubar, a grande druida Josielandira Nialandara acompanhou os vários grupos de sobreviventes para que se assentassem em outras cidades, ou até mesmo fundando novas aldeias e vilas, ajudando-os a reconstruírem suas vidas traumatizadas pelo terror.

Meses se passaram e agora esta elfa tem um novo objetivo. Mantendo sua promessa para com Allihanna, precisa reencontrar e buscar novos integrantes para formarem os novos Exterminadores de Allihanna. Poucos sobreviventes do grupo original se prontificaram à retornar, optando por se aposentarem, viverem com as famílias, utilizando as técnicas e todo o conhecimento aprendido para protegê-las.

Está mais difícil do que se pensava, além de reestruturar o grupo, Josielandira deve incluir a dificuldade de se adentrar novamente o reino da praga, evitando os orcs que agora dominam o reino, para continuar sua missão divina de exterminar as Feras-Coral. Realmente não está fácil.

São em momentos de desespero que se sucumbe à escuridão ou quando uma luz aparece. E após conseguir agregar poucos voluntários sem muita expressão ao grupo, ela é procurada por ninguém menos do que Solkor, Sangue Quente. O filho de Hourk se junta Às forças dos Exterminadores de Allihanna não com o intuito de matar Feras-Coral, mas de eliminar tantos orcs quantos puder. Seu sangue está mais quente do que nunca.

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As notícias correm, ainda mais quando os bardos cantam para todos ouvirem. A deusa do conhecimento que olha sobre todos eles, sem requisitar sua devoção. As notícias voam quando direcionadas aos ouvidos certos, viajantes do Mundo Mortal vieram para Selva Feérica, grupo misto com várias raças e entre eles uma humana feiticeira.

Suas obrigações como major já obrigam Aldariallas Galaen a fazer visitas periódicas nas fronteiras. Sendo o responsável pela proteção da malha entre os planos, tem uma motivação adicional para sua viagem, verificar quem são e o que querem estes viajantes. A versão de refúgio político parece não convencer este altamente desconfiado elfo, que se tornou quase paranóico após a morte da esposa.

Arrumando sua bagagem, é surpreendido em seus pensamentos longínquos por sua filha que abre repentinamente a porta, olhando com desdém o pai e se retira com um ar de inconformado. Os sinais não poderiam ser mais evidentes para Aldariallas, deve se certificar de que ela não saiba de nada.

Como de praxe quando tem de viajar, Aldariallas leva sua filha Deanna para que fique na casa da avó, mãe de sua falecida esposa. Ele pode ver nos olhos dela que algo está diferente, desta vez ela pretende alguma coisa, está colaborando muito. Se esforçando para não deixar nada transparecer, mantém seu rosto austero. Monta em seu cavalo e com a capa esvoaçando frente à sua tropa, major Galaen dá a ordem de marcha.

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