O pequenino halfling Peruryan de vestes simples, acorda lentamente, como de um sono longo e pesado. Seu corpo dói, mas logo se lembra do que aconteceu que o deixou naquele estado. Apesar de recuperado dos ferimentos, a fadiga ainda abatia seu corpo.
Peruryan: mas onde estou?
A humana Biessa, de pele branca, cabelos negros e curtos, com vestes leves e claras se aproxima lentamente de maneira suave, demonstrando calma e tranquilidade.
Biessa: no território de Lena tu estás seguro, pois nada à de temer no templo da paz.
Peruryan: agradeço à jovial deusa por curar minhas feridas, deixo este pequeno valor como oferenda à sua deusa para que use em prol de seu templo.
Biessa: aceito de bom grado sua doação, e que a paz de Lena encontre seu coração..
Peruryan refaz suas tranças enquanto sai do modesto hospital lamentando estar sozinho e não ter para onde voltar. Junto com seus fiéis companheiros, seduzidos pela promessa de fortunas e emoções, deixaram "Os Sombras" e formaram um iniciante grupo de mercenários, mas nunca pensou que tudo terminaria tão rápido. O pior de tudo é não mais poder estar com a pequenina que conheceu à poucos meses..
Ele põe sua pequena fé em Khalmyr, pensando que a justiça será e deve ser feita para tal atrocidade. Com contatos e procurando nos locais certos, conseguiu chegar às pessoas certas para promover justiça. Chegou à Adegorn, um humano devoto de Khalmyr, com belas vestes azuis, que esfregando o cavanhaque ouve com atenção o pequenino.
Adegorn: não se aflija pequenino, Khalmyr trará justiça à sua causa se nele tiver fé.
As boas relações de Adegorn com a milícia permitiram o início quase imediato das investigações da atrocidade. Grandes golens de pedra armados com lanças, comandados por um mago faziam a ronda pela cidade. Parte da população fica agitada, a procura se intensifica à cada minuto deixando as pessoas mais e mais tensas. Os boatos e rumores começam à se espalhar, conversas que em pouco tempo chegou aos ouvidos do prefeito.
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uma voz forte e intimidante abrange a tenda de couro já envelhecido, que expande com o ecoar das palavras.
Huriel: vocês haviam dito que o ferimento não era tão grave quanto parecia e que eu poderia ter minha luta! Quando isto ocorrerá?
O mais velho e sábio dos que ali estavam presentes, recolhendo suas ervas medicinais responde.
Falin: tenha calma, a situação dele é instável, devemos tomar cuidado ao lidar com alguém no atual estado dele.
Huriel: enquanto ele não se recupera, o poder está com aquele ambicioso substituto Barash, isto não deveria ser assim! Isto enfraquece nossa sociedade, estamos perdendo o respeito perante toda a comunidade de nosso povo.
Barash está à adorar sua nova porém temporária posição, mas não pretende que seja por pouco tão tempo. O poder e a ambição corrompem as almas, resultando em atos hediondos impensados por muitos, mas não todos. Na tenda do chefe Mitzrael, Barash com sua brilhante brunea verde-musgo passa à ponderar sob a cicatriz de seu rosto.
Barash: finalmente com o poder em minhas mãos poderei levar todos ao culto de Ssaazzs! Envenenar Mitzrael foi brilhante, ainda mais brilhante foi manipular todos à pensarem que se tratava de um assassinato, destruindo a reputação de um infiel. Passo a passo meu plano está se concretizando.
Passam-se alguns longos dias para toda a comunidade que aguarda a recuperação de seu chefe Mitzrael, quando o resultado é anunciado pelo velho.
Falin: querida comunidade, venho lhes informar que Keen (morte) venceu Lena ( vida) na batalha sobre a alma de Mitzrael. Trago-lhes o corpo dele enrolado em tecido vermelho para a tradicional cremação honrosa.
Barash deixa rapidamente escapar um sorriso de satisfação, mas logo retorna ao falso rosto de descontentamento. A cremação ocorre como de costume, liderados por Huriel que é o primeiro à acender a grande fogueira. Com Mitzrael oficialmente morto, Barash passa à ser o novo chefe, porém pode ser alvo de desafiantes pela liderança.
Huriel: com a morte do chefe posso desafiá-lo para um combate pela liderança de nosso povo, e é isto que pretendo fazê-lo para devolver o poder a mão de quem merece.
Barash: queres mesmo me desafiar? Eu lhe treinei, conheço todos seu golpes e movimentos, acha que pode me derrotar? Seu estilo de luta possui falhas que apenas eu conheço e que posso aproveitar, você sabe bem disso.
Infelizmente Barash tinha razão, seria uma luta onde a força de combate dos dois não era compatível, Huriel ainda tem muito a aprender. Com a intimidação de Barash funcionando reforça que ele tem razão e que nada pode ser feito por nenhum deles atualmente. Um combate desproporcional não é algo honrado, mesmo para um servo de Sszzaas, pois ele ainda tem de manter as aparências. Uma derrota humilhante não seria bem vista pelo seu povo orgulhoso na tradição dos combates, Huriel recua.
Barash: achou que com a morte de seu pai Mitzrael o poder iria diretamente para você Huriel? Apesar do seu sangue, o mais forte deve governar pelo bem da comunidade. Eu poderia matá-lo aqui mesmo para não ter ser atormentado com um duelo seu futuramente, mas não posso, para eu não acabar como sua mãe.
Huriel: ela não tem nada a ver com isso! Ela cometeu um erro tolo que eu não acredito como ela pode tê-lo feito. Essa história está muito mal explicada do começo até agora, mas tenha em mente que este não é o fim.
Barash: parta daqui e retorne quando estiver à altura de me enfrentar, não preciso de alguém insolente como você em meus domínios.
Huriel: seus domínios uma ova! Este sempre será o domínio dos Guiffart e seus descendentes! Retornarei preparado e este dia será o fim de sua era.
O jovem Huriel deixa a tenda indo de encontro à mãe presa, isolada do restante da sociedade, aguardando estranhamente esperançosa pelo dia fatídico. Lavíniah é bela para os padrões normais, beleza oculta pelos maus tratos que passou à sofrer.
Lavíniah: meu filho, não deveria vir aqui, tens de ficar ao lado do chefe para quando ele voltar à governar certamente irá me libertar.
Huriel: é triste a noticia que lhe trago mãe, mas Mitzrael, meu pai, está morto e Barash, agora é o novo chefe, esta sua crença não se concretizará.
Lavíniah: não! Isto não pode estar acontecendo! Sei que ele estava mal de saúde durante muito tempo e por isto resisti aqui, aguardando sua volta para minha libertação, mas agora que ele está morto não irá interceder por mim, estou condenada!
Huriel: não se aflija minha mãe! Hei de conseguir combater Barash e retomar o poder para linhagem original. Peço que aguente até lá. É uma vergonha para mim não poder derrotá-lo no momento. Mas tenho que lhe perguntar, porque libertou Raziel?
Lavíniah: o destino chega para todos, mas Allihanna (deusa da natureza) sabe que não fiz o que me condenam. Me faça um favor, coloque uma cesta de frutas próximo ao toten da Mãe Natureza como oferenda em meu nome.
Huriel: não mesmo? Raziel tentou matar o pai Mitzrael e você o libertou! Isto é uma afronta ao nosso governo, e é este governo que quero levar frente às outras comunidades, de ordem e respeito!
Lavíniah: Huriel meu filho, seu pai e eu sabemos que Raziel jamais teria feito aquilo, mesmo que o tivesse feito, ele não conseguiria derrotá-lo com um único golpe, não concorda? Você sabe que vocês dois tem poderes equivalentes, você conseguiria?
Huriel olha confuso refletindo sobre estas palavras. Pensar nunca foi realmente o seu forte e sabia disso, mas a lógica é clara até para os mais tolos. Como que por instinto o jovem passa a recolher algumas frutas em uma cesta.
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