quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ESC # 05

Alguns meses se passam e Quarion Valaethiel finalmente tem tudo o que precisa e está pronto para ir à Deheon. Já fazia algum tempo que estava se preparando e muito ansioso para este dia. Separa seus melhores trajes para se apresentar ao grande Imperador-Rei Thormy, afinal trata-se de uma ocasião especial e um grande mago de seu nível não pode estar mal apresentado diante da presença real.

Kaliendir Valaethiel agora com maior compreensão e domínio das forças arcanas irá juntamente com o pai nesta viajem para apoiar e auxiliá-lo na petição que estão à realizar. Depois fará sua inscrição na Grande Academia Arcana onde iniciará seus estudos arcanos combinado com a arte do manuseio da espada, herança de seus ancestrais.



- está pronto Kaliendir? Perguntou Quarion ao terminar de se arrumar.

- estou pronto e espero estar preparado quando minha hora chegar. Respondeu.

- sei que está preocupado por saber seu destino, mas sabe que pode mudar o seu destino. Disse Quarion com um tom de ânimo na tentativa de animar o filho.

- não estou com medo de meu destino, todos temos uma missão neste mundo, se esta é a minha eu a aceito. Ela não se compara à missão de Narwain, por isso tenho de ser forte. Kaliendir disse com orgulho.

- vamos indo, pois há muito à ser feito, a jornada se inicia com o primeiro passo e esse passo já foi dado por Narwain, as areias do tempo já estão passando e nos resta pouco tempo. Quarion fala enquanto se dirige à porta.

Tanto Quarion como Kaliendir se despedam de Valenae e Maderiel. O abraço em família é dado como se houvesse uma saudade de anos de espera, é longo e apertado, sabem que o futuro está cada vez mais perigoso até onde seus grandes poderes arcanos puderam prever, todo cuidado é pouco, pois os inimigos são muitos.

Ainda ficaram na pequena Vila Questor em Tyrondir, Valenae e Manderiel semi-escondidos dos perigos que acercam esta família. A mãe continua a produzir os variados produtos alquímicos utilizados na guerra contra a Aliança Negra mais ao sul do reino, embora se lembre dos tempos em que lutava pessoalmente contra o mal. A maestria de seu domínio da arte da magia era esplendorosa, histórias que os bardos contarão por muitas gerações.Claro que queria participar da guerra, mas não pode se expor atualmente, é um dos períodos mais sombrios de sua família e que está se tornando cada vez mais escuro. A missão da família deve ser completada, mas não mais pode fazê-lo, sua filha já está com idade e assumiu a continuidade desta missão, encontrar os 99 celestiais, felizmente agora faltam poucos.

As histórias dos feitos desta família não podem se perder no tempo. Manderiel tem orgulho do que fizeram e estão por fazer, por isso presta atenção em tudo o que é contado e em tudo o que acontece e conta os relatos com tanta paixão e afinco que é dado como um grande futuro bardo. Comunicativo e destemido, tem nos pais o exemplo de vida e no irmão a parceria segura. Mantém o comportamento infantil, calmo e comunicativo, seu objetivo é nobre, o futuro o aguarda com todas as histórias que há de vir acontecer com todas as possibilidades de mudança.

Quarion e Kaliendir viajam até Valkaria, capital do reino de Deheon.

- sei que é inútil, e foi inútil durante todos esses anos, mas vou tentar mais uma vez. Quarion diz para si mesmo.

No quarto de uma boa hospedaria, Quarion pega uma bola de cristal que permanece apoiada em uma base de bronze escuro na forma de um tronco de árvore em que seus ramos seguram a bola de cristal e utilizando uma pequena mas valiosa quantia de Residuum, espalha o pó sobre a esfera e murmura palavras arcanas até que o interior da límpida esfera torna-se nebulosa e os olhos de Quarion brilham.

- revele-me o paradeiro de minha filha Narwain Valaethiel, se ela ainda estiver sob proteção ocorrerá à dissipação deste ritual como tantas outras vezes, se ela estiver em outro plano o ritual falhará, como nunca aconteceu.

A visão turva da bola de cristal se torna uma brilhante luz em explosão quase cegante, o ritual falhou, o pó do Residuum retorna e Quarion fica pálido diante da situação. Kaliendir entra no quarto assustado com o brilho repentino e vê seu pai estático, sem mover um músculo, que após uma longa pausa dramática diz:

- Narwain está morta!

Em de todo o tempo em que esteve presa, Lavíniah Guiffart não foi maltratada desde que Barash assumiu a liderança do clã Escama Rubra. Mesmo sendo considerada uma traidora, muitos a respeitam e tratam com cordialidade, exceto os subalternos de Barash. Acredita que isto seja fruto da grande competência de Mitzrael como líder do clã, apesar da liderança rígida e seus ideais não serem os mais nobres, ele mantinha a lei e a ordem.

Entretanto Barash não está satisfeito com esta situação, o povo do clã ainda não esqueceu Mitzrael Guiffart, por isso ainda não o aceitou totalmente como seu novo líder. De fato, a popularidade de Barash está decaindo já que a política de meritocracia não foi completamente aplicada em sua ascensão ao poder.

Derrotar um recém-formado guerreiro, mesmo que seja o filho de Mitzrael, ele era o seu pupilo e o mestre derrotar seu pupilo não lhe trará a honra e o respeito que almeja na atual situação. Ele precisa desafiar e superar um guerreiro condecorado que tenha o respeito do povo, para aí sim derrotá-lo e pegar este respeito para ele próprio, com isso conta com a volta de Raziel Guiffart.

Corre o boato de que Raziel fez parte do grande exército que enfrentou a Tormenta no reino de Trebuck sob a liderança de Lady Shivara e foi um dos heróis sobreviventes. Ainda dizem que ele está no reino de Wynlla, o reino da magia, provavelmente em busca de itens mágicos para torná-lo mais forte. Sendo o pupilo de Balasar, seu rival de tantos anos, atualmente desaparecido, nada como juntar o útil ao agradável em derrotá-lo e avançar mais um passo em seu grande plano de espalhar a supremacia dos dragões, como é de agrado à Sckhar.

Huriel sabe que não pode derrotar Barash com sua técnica, pois ele o conhece melhor do que ninguém, então parte em busca da única pessoa que Barash não derrotou. Balasar Teroth está desaparecido desde o dia da morte de Mitzrael, não foi visto nem mesmo no funeral, o que aumentou a desconfiança do povo nele e consequentemente em seus subalternos. Mas isto é fruto de mentes fracas que se deixam levar por boatos, pois muitos sabem que Balasar não seria capaz de fazer tal atrocidade, entretanto pensavam o mesmo de Raziel.

Com a partida de Huriel, sua mãe Lavíniah não mais contava com a proteção e visitas do filho, o que tornaram os dias cada vez mais longos e sofridos. A saudade dos filhos foi aumentando, mas este é um sofrimento que ela sabia que viria e estava disposta a passar, acreditando que este sacrifício trará um futuro melhor para sua família. mas os subalternos de Barash estão aumentando sua influência e tornando os dias cada vez mais difíceis de se suportar. Sem os filhos e sem o marido, Laviniah não tem nem mesmo sua liberdade, valeria todo este sacrifício e sofrimento a pena? O tempo está correndo rapidamente.

Já se passaram vários meses, nenhuma boa notícia para a família Guiffart, a data do dia fatídico está muito mais próximo. Lavíniah começa a se desesperar cada dia um pouco mais diante da pressão psicológica esmagadora que está se tornando cada vez mais real e vai tomando conta de seus pensamentos, tornando-a aos poucos uma pessoa mais distante das outras, sem brilho, sem fé e se nada for feito até o dia do Sckhasharall, será uma pessoa sem vida. O tempo se esvai junto com a esperança.

Huriel empregou todos esses meses percorrendo o reino de Sckharshantallas à procura de Balasar, cada tribo e cada cidade que encontrou e visitou ainda não lhe rendeu o fim de sua procura. Entretanto conquistou companheiros valorosos que também tem seus objetivos e ideais no reino e se uniram para alcançá-los. Huriel não esconde sua origem e fala com orgulho de sua tribo e os ideais que ela têm, fala com orgulho ainda maior ao citar seu pai Mitzrael, que possui uma certa fama entre os draconatos vermelhos, mas alguns não acreditam em suas histórias, sempre exageradas para dar maior ênfase.

Atualmente está integrado à um grupo mercenário do governo chamado “Garras de Sckhar” que possui o quartel-general no Forte Curanthor à leste do reino. É uma filiação perigosa, mas temporária, apenas para que Huriel e seus companheiros consigam fundos para continuar a buscar seus objetivos.

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