quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ESC # 06

Orcs. Seres que vivem à margem da sociedade humana, organizados em seus clãs, espalhando o terror como um dos grandes inimigos dos povos civilizados. Apesar de existir monstros muito mais fortes e poderosos que seriam uma ameaça com potencial muito maior de perigo, estes são mais raros e vivem longe dos povoados.

Como não possuem grande inteligência e habilidade, vivem em regiões montanhosas, morando em cavernas em um regime tribal pouco rígido, onde simplesmente o mais forte comanda. Devido à suas baixas capacidades e podemos dizer até mesmo preguiça agravada com uma tendência maligna, os orcs preferem tomar à força aquilo que não conseguem por mérito próprio. Grandes combatentes, saqueiam povoados e a todos dizimam, tomando as casas e construções para si mesmas, fortificando-as rusticamente, formando uma cidade orc.

Porém esta mesma baixa inteligência foi que manteve os orcs, de certa forma sob controle, mas os tempos estão mudando e isto não é bom para os povos civilizados. Possuem muita experiência em combate, pois treinados desde jovens, onde os fracos não sobrevivem, desenvolveram certa estratégia dentro de suas limitações. Algumas tribos e grupos se juntam com ogros aproveitando bem o tamanho e a força destes brutamontes.



Praticamente todos os reinos possuem montanhas ou colinas onde podem estar tribos de orcs vivendo, até mesmo vilarejos dizimados ou abandonados que agora estão tomados pelos orcs, podem estar presentes em qualquer lugar que nem mesmo os mapas podem indicar. Mas é sabido por todos que as montanhas mais perigosas sãos a Uivantes e as Sanguinárias, então logicamente os reinos próximos à elas são ocasionalmente visitadas por orcs.

Com o passar dos anos os problemas com orcs em todos os reinos vem diminuindo aos poucos. Muitos líderes, nobres, regentes e lordes atribuem isto às vitorias de seus campeões sobre as criaturas e da proteção das grandes cidades contra estes males menores externos que nunca passarão pelas defesas bem organizadas dos povos civilizados. Porém o período de caos que estamos vivendo traz mudanças para o bem e para o mal.

Mais fortes do que qualquer goblinóide, ainda mais quando estão unidos com os ogros, nunca deram importância para eles, sempre se acharam superiores, dificilmente um orc iria perder para um goblin, ou mesmo hobgoblin, entretanto os bugbears dão grandes adversários. Mas sua parceria com os ogros não lhes redeu melhorias em seu ponto-fraco, a inteligência pois os ogros são ainda mais estúpidos do que os próprios orcs, mas novamente, em tempos de caos, as mudanças ocorrem.

Apesar de muitos goblins viverem em relativa paz em meio aos povos civilizados, raros são os goblins ou qualquer goblinóide integrante da Aliança Negra presentes no Reinado, mas espiões e informantes ocasionalmente conseguem passar e viajar pelos reinos e de tempos em tempos acabam passando pelas colinas e montanhas onde vivem os orcs, que passaram a ter conhecimento de Thwor Ironfist e a profecia.

Alguns sábios e alguns loucos alertam, o barulho dos goblinóides da Aliança Negra está diminuindo a percepção das pessoas aos passos dos orcs. Muitos reinos nem se preocupam com a Aliança Negra, considerando-a uma guerra e problema do reino de Tyrondir, ainda mais acreditando que os orcs estão felizes em suas montanhas e que não ousariam atacar as fortificadas defesas das cidades, pois nem eles seriam tão estúpidos para fazerem isso.

Mas uma velha cigana do grupo Vistani chamada Alinoraque está alertando os reinos por onde passa que previu em suas cartas a formação de uma nova ameaça ao Reinado, algo como a própria Aliança Negra onde se acredita ser orcs e ogros. Mas quem acreditaria em uma velha louca delirando em meio às alucinações do fumo e da idade? O povo de Lomatubar não quer acreditar nisso. Preferem acreditar na reclusão dos orcs e concentrar seus esforços na busca da cura da Praga Coral, assim como muitos outros reinos têm seus próprios problemas e preocupações do que dar crédito às previsões de uma velha cigana.

Nas montanhas e colinas, orcs e ogros estão planejando algo. Hourk é um dos primeiros.

Para fortalecer a consistência abalada de sua guilda, Vincent, líder do Vento Negro precisou buscar reforços pois a situação da guilda ficou instável com a fuga repentina de Hades e a perseguição e posterior morte da vice-líder Anastriana. Vários membros decidiram deixar a guilda, desistiram, entraram para outras guildas ou mesmo formaram suas próprias guildas rivalizando com o Vento Negro.

Vincent via em busca de velhos companheiros para que com eles em ação tragam de volta o respeito e a obediência que dão consistência à guilda. Mas encontrá-los não será fácil, pois muitos anos se passaram, eles podem até mesmo não serem as mesmas pessoas que eram antes, suas índoles pode ter mudado ao longo do tempo, seu modo de pensar pode opor à sua intenção atual e com certeza os rostos estão bem diferentes pelo avanço da idade, quando ele mesmo se lembra que seu próprio rosto está alterado pelas cicatrizes.

Confiando em um pequeno, mas fiel grupo, Vincent deixa à eles o comando da guilda, para manter as coisas como estão e os negócios funcionando enquanto ele mesmo viaja para Ith, uma cidade no reino de Portsmouth em que tudo o que é ilegal pode ser encontrado. Ao chegar, começa a se lembrar de quando iniciou sua carreira, pois nesta horrível cidade onde vivem apenas mercenários, ladrões, fugitivos, contrabandistas e todo o tipo de pessoa deste ramo do submundo, era roubar ou ser roubado, trair ou ser traído, matar ou morrer.

As lembranças nunca lhe são boas, pois sua visão do futuro é tão mais bela, e foi por isso que mudou de reino para iniciar vida nova. Mas ser um ladrão, assassino, espião e mercenário era tudo o que sabia fazer. Mas isso não o impediu de realizar o seu sonho e dar oportunidade à aqueles com menos sorte. Criou uma guilda, ainda realiza os trabalhos do submundo, mas sua real intenção é de acolher as crianças de rua e lhes dar abrigo e trabalho.

Claro que seu em seu pensamento sua intenção é nobre, e realmente é, mas o método não poderia ser aprovado por nenhum rei de nenhum reino. Mas Vincent acredita no ditado que diz: “os fins justificam os meios”, se o governo não quiser ajudar ou mesmo apoiar a organização, a guilda está formada e continuará seu trabalho como uma ONG. O nome Vento Negro foi escolhido para atrair membros que pensam se tratar de uma guilda comum, mas poucos sabem da real intenção de seu fundador.

Vagando pelas estreitas e sujas ruas da cidade, passando por becos infestados de ratos e todo tipo de lixo, entra na “Taverna do Basilisco” onde dizem ser o melhor ponto para se recrutar mercenários para todo e qualquer tipo de serviço, mas onde também pode ser encontrado qualquer tipo de informação, já que quase todos ali são ou já foram espiões. A memória lhe falha, era complicado o nome do qual queria se lembrar, elfos e seus nomes difíceis, mas finalmente conseguiu se lembrar e se informar sobre Valdaglerion Erumolien.

Pagando finas quantias às pessoas certas em pouco tempo conseguiu informações suficientes, embora não muito consistentes dado à natureza errante de quem procura. Entretanto se conseguir chegar à ele será mais fácil de encontrar os outros, com todo o conhecimento e de tanto viajar, poderiam conseguir em questão de semanas. O paradeiro de seu companheiro não poderia ser mais óbvio. Se eu fosse uma chave onde eu estaria? Na fechadura, seria a resposta. E se eu fosse um bardo onde eu estaria? Em Petrynia*, seria a resposta. A lógica era tamanha que lhe custou a acreditar no começo, mas as informações pareciam confiáveis.

Sua partida para Petrynia é assistida de longe, bem de longe, de outro plano, onde Rarderak sentado em seu trono dourado acompanha os passos de Vincent quando, cercado por sua legião um de seus soldados se aproxima sem dizer nada. Rarderak então pergunta “- É ele? Este velho miserável? Ele já me enviou muitos de vocês, têm me sido muito útil. Em breve chegará a hora dele e você poderá trazê-lo pessoalmente.”

* Petrynia é conhecida como “o reino das histórias fantásticas”. Praticamente todas as histórias de Arton têm alguma passagem neste reino. Bardos contam histórias, contos e lendas citando no final “aconteceu em Petrynia” como uma forma bem-humorada de dizer que não é verdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário