No ano de 1020 do calendário élfico, à 375 anos atrás, Thyatis, a deusa fênix da ressurreição e profecia vislumbrou a mais temida profecia conhecida em Arton, a vinda de Thwor Ironfist. Passada à Tanna-toh, deusa do conhecimento, e hoje esta profecia em parte é bem popular. Mas dizem as lendas mais obscuras de que Thyatis também profetizou a chegada da Tormenta e as informações sugeridas por esta profecia seriam tão horríveis que não puderam ser compartilhadas para não disseminar o pânico entre os deuses e suicídio e descrença entre os mortais.
Nem mesmo a própria Thyatis conseguiu prosseguir sua existência lucidamente com isto. Muito tempo se passou e finalmente lhe veio sua ultima profecia. O alívio esperado depois de anos lhe chegou em boa hora, Arton seria engolida em caos e guerras durante muitos anos e nem mesmo todos os heróis unidos poderão vencer a aniquilação que está por vir, mudanças ocorrerão para pior, muito pior, o que pode ser feito é amenizar o impacto que estas mudanças irão trazer aos mortais para que não sejam exterminados de sua existência.
Thyatis confiando em Tanna-toh lhe diz apenas o necessário sobre a profecia e lhe pede para que transforme seu corpo em mortais e os envie ao mundo material. Consumindo-se em fogo para ressuscitar Valkaria, suas cinzas divinas são moldadas em formas mortais, esta raça conhecida como Deva, estão em Arton, imortais com conhecimentos proféticos e inteligência vagamente acumulada de vidas anteriores, onde 99 deles possuem partes da última profecia, em códigos indecifráveis escritos em Supernal, a própria língua dos deuses, em seus corpos.
Em algum lugar inóspito, um homem, de pele púrpura com faixas e linhas roxas em padrões simétricos pelo corpo, simetria diferenciada em seus olhos, um agora cego devido a última batalha contra criaturas do caos, coberto por um tapa-olho de couro negro, recupera suas forças ao lado de seu companheiro, um golem vivo, feito de aço e madeira, que possui mente e vontade própria, mas a intuição deste Forjado Bélico, assim nomeados os integrantes desta raça, diz que ele deve permanecer ao lado deste Deva, algo muito além da amizade que já possuem.
A voz com um tom mecânico-metálico podem soar estranho a ouvidos simples, mas para aqueles agraciados com o companheirismo dos Forjados Bélicos, mais do que reconhecem seu valor, literalmente um amigo para a vida toda.
- está bem, amigo Prólogo? Estou notando diferenças no seu comportamento nos últimos meses.
- não se preocupe Braço de Lança, as linhas e faixas em meu corpo estão mudando aos poucos, formando um novo padrão, algo me diz, quase que instintivamente, que isto já aconteceu com outros como eu.
O conhecimento instintivo dos Devas muitas vezes se remetem à vidas passadas. Realmente, já aconteceu com outros como ele, quase pode sentir que a importância desta mudança é extrema, precisa saber o que é. Num piscar de olhos, tem a visão de outros membros de sua raça rara, sendo poucos deles tendo o padrão dos corpos alterados em estágios anteriores ao seu. Rapidamente tem a visão de seu antecessor, o primeiro com os novos padrões estabilizados, estava altamente incapacitado, mas o surgimento de uma garota eladrin lhe retira linhas e faixas extras apenas com um toque, restabelecendo sua integridade física enquanto os estranhos padrões de linhas magicamente fluem de um corpo para o outro até uma marca próximo ao peito da jovem.
- o Prefácio já foi encontrado, e agora sei qual é o meu destino Braço de Lança, não temos muito tempo. – disse o grande Deva caolho sentindo que a fadiga aumenta em seu corpo, apoiando em seu companheiro.
- encontrou seu destino ou ele virá para encontrá-lo? – diz o Forjado Bélico enquanto ajuda Prólogo a ficar de pé.
- deve haver uma maneira desta eladrin nos encontrar e encontrar os outros como eu, ela precisa , não sei bem porquê, mas é o destino dela e todos devemos cumprir nossos destinos.
- seja qual for o deus que tenha dado vida à mim, me deu a missão de fazer com que este encontro aconteça. O destino se cumprirá e as coisas serão como devem ser, tudo ao seu tempo, devemos estar preparados para este dia.
Ambos caminham pela estrada deserta, buscando no fundo de suas mentes quais são suas reais motivações, seus reais objetivos. Os mortais eventualmente morrerão após anos, uns vivem mais e outros menos. Mas e estes dois imortais? Sentindo que estão para atingir seu destino, o que farão com isso? O que farão depois disso?
A capacidade de organização dos goblinóides, graças à liderança de Thwor Ironfist é notória, ninguém acreditaria que pudesse ser feito, mas estas crenças parecem existir apenas para surpreender as pessoas. Ao que parece, não apenas as pessoas, mas outras criaturas também. Dizem as más línguas que até mesmo os minotauros estão com uma ponta de inveja das conquistas dos goblinóides enquanto os grandes guerreiros de Tauren parecem estar apáticos em seu reino, que enfrentam apenas batalhas políticas e burocráticas.
Com a profecia se perfazendo, a guerra tomando a tudo e a todos, como ela mesma diz, nas criaturas está se formando instintivamente métodos de sobrevivência antes jamais vistas em qualquer parte do Reinado. Os animais estão interagindo, respeitando-se mais. Os monstros se aliando à outros monstros em sociedades impensáveis no intuito da sobrevivência mútua, assim como outras criaturas e seres de Arton.
Para a infelicidade das criaturas classificadas como “vida inteligente”, o instinto não é bem desenvolvido, sendo que a lógica e a razão estão em seu lugar. Humanos, elfos, anões entre outros pensam e tentam superar estes tempos negros que parecem sem fim e sem resposta. Coitados, não vêem quem a resposta está debaixo de seus próprios narizes. Quem vê não crê, quem vê e crê é ambicioso e orgulhoso demais, e quem vê, crê e é sensato e humilde para aceitar, é ridicularizado pelos outros. Seria esta a “vida inteligente”?
Talvez abençoados, ou talvez não, algumas criaturas então no meio termo entre os seres racionais e os irracionais, com certa inteligência, mas deixando-se levar pelos instintos, sem pensar muito, estas criaturas têm a capacidade de instintivamente se socializar com outras e também a capacidade de planejar cursos de ação para o futuro. Mas será que estas capacidades limitadas em ambos os lados será o suficiente? Uma compensa a outra e vice-versa? Nem mesmo os deuses podem prever o futuro, pois uma única ação de um único indivíduo pode alterar os padrões da linha do tempo. Por isto que as profecias são tão misteriosas e passíveis de diversas interpretações.
Duas raças com as descrições citadas anteriormente iniciaram seu agrupamento, Orcs e Ogros. Iniciaram por tribos mais próximas, passado alguns meses se organizaram em comunidades não-centralizadas nas três regiões (leste, oeste e centro) do Reinado. Existem apenas boatos e rumores sobre estas organizações, as poucas testemunhas não compreenderam o que estava acontecendo e desacreditam em tal possibilidade.
Garra Quebrada, a tribo do leste, assim como Pedra Fria, a tribo do oeste, enviam um grupo de negociação de encontro ao Olho Cego, a tribo central, pelo menos assim acredita ser a tradução do nome destas tribos que falam a língua dos gigantes, conhecida por poucos povos. Verdade que eles sabem falar o Valkar, a língua dos humanos, mas falam tão bem, se não pior, quanto uma criança pequena.
- quantos dias de viagem são até o Olho Cego? Meu martelo quer um crânio para esmagar logo! – disse um grande orc cinzento, que parece ser o maior entre eles, usando apenas uma tanga de couro e o braço vermelho de sangue.
- eu achava que deixando os ogros para trás me pouparia deste aborrecimento, creio que seria melhor a companhia ignorante deles. – respondeu o orc visivelmente mais velho, com cabelos brancos e longos sobre vestes cinza bem sujas, caminhando com vigor, mas se apoiando em um cajado.
- vamos roubar alguns cavalos para encurtar a viagem, isto nos pouparia tempo e poderia nos trazer alguma diversão. – disse em tom de liderança o orc forte e robusto, com uma cicatriz no rosto, usando uma velha armadura que visivelmente não foi feita para ele, enquanto empunha uma grande espada curva, mas em bom estado.
- encontrei à frente um grupo de humanos viajantes, vamos atacá-los de surpresa! Meu facão está perdendo o corte de tanto tempo na bainha. – comentou um orc mais baixo, mas igualmente forte à média dos outros, vestindo uma capa azul escura, igualmente suja à do velho orc.
- ótimo, diga aos carregadores que aguardem meu comando, estava esperando esta oportunidade. Querem um plano de ação? – perguntou com um sorriso sarcástico no rosto, demonstrando um raro bom humor.
Todos sorriem da mesma maneira, o grande orc de martelo de pedra responde se virando para os inimigos.
- somos orcs, não precisamos pensar nisto. A batalha é minha vida! Morrer em combate é meu destino! ATACAR!
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