“Querida Deanna, desculpe não poder ficar. Tentei te dizer antes, mas não consegui.
Tudo ficou perigoso demais. Por favor, não tente me encontrar. Eu amo você.
L.”
Confusa, ela olha em volta, sem encontrar nada nem ninguém. Percebe que esta usando um colar, no qual está gravado o nome Deanna na linguagem dos elfos. Ela se levanta e começa a caminhar, em busca de ajuda. Anda e anda, durante um bom tempo, até ficar exausta e se sentar para descansar, já não sabia o que fazer.
Então ela ouviu um farfalhar os arbustos próximos da onde estava de repente olhos ameaçadores sugiram diante dela. Aterrorizada não se mexeu, até o mostro revelar-se completamente, arreganhando os dentes, faminto. Levantou os braços em posição de defesa e de repente sentiu algo percorrer seu corpo, como um choque elétrico, uma luz relampejou, quando abriu os olhos, estava ilesa, viu o monstro á uns 10 metros de distância, inconsciente.
Um Clérigo viajante que estava acampado ali perto ouviu o grito. Quando chegou ao local, encontrou Deanna sentada no chão, olhando para as mãos, assustada. Ela hesitou por um momento, pensou em fugir, mas por fim, decidiu confiar nele. Estava sem alternativas. Contou o que sabia para o homem, que sentiu grande compaixão por ela e decidiu ajudá-la, afinal não poderia deixá-la lá. O clérigo contou que após o grito sentiu uma grande manifestação de poder divino. Algo extraordinário, mas ainda assim, não sabia mais o que poderia ser.
Ele a trouxe para aonde estava acampado e lhe deu comer e beber. Não podia simplesmente abandoná-la ali, ou com alguém qualquer, sendo que ela não tinha memórias, seu potencial divino deveria ser incentivado. Ele se comprometeu a ajudá-la e a convidou a se juntar em sua jornada.
Deanna acompanhava o clérigo em todos os seus trabalhos ajudando sempre que possível, e eles se tornaram amigos com o passar do tempo. Ele a ensinava a controlar seus poderes, fornecia os livros certos, lhe apresentou às pessoas certas, mas mantendo a discrição. Ele a apresentava às pessoas como sua assistente, uma aprendiz. Em todas as cidades, Deanna lia e lia, tentando descobrir seu passado, mas sem nenhum sucesso.
Algum tempo depois ela já estava com bom domínio de seus poderes quando, passou a ter freqüentes e repetidos sonhos, os quais ela anotou em detalhes em um diário, para ver se conseguia descobrir mais pistas.
Depois de muito tempo, os dois estavam em uma simples estalagem, quando Deanna saiu para comprar livros. Quando saiu da livraria já havia anoitecido, seguindo de volta para a estalagem, notou um movimento. Estava acontecendo uma briga. As pessoas começaram a se amontoar, e a rua tinha perdido aquela paz de outrora. Se aproximou um pouco para ver, e uma figura encapuzada se virou para ela. Ele estava claramente bêbado, mas sua boca e seus olhos se arregalaram quando focaram em Deanna. Ele levantou o dedo trêmulo em direção a ela, sem dizer nada. Quando Deanna tentou se aproximar mais, um grupo de cavaleiros passou pela rua como o vento, e apanhou ele e o outro envolvido na briga e sumiram rápido de vista.
Deanna voltou para a estalagem e contou ao clérigo o que acontecera. Ele achou não ser prudente ficarem mais tempo e partiram no outro dia. Dois anos se passaram e nunca mais teve outra chance como aquela. Aquele homem sabia a verdade! O clérigo foi chamado para um trabalho importante e de longo prazo, mas Deanna não poderia ir. Ela já havia aprendido o suficiente para continuar sozinha, então se os amigos se despediram, mas prometendo se encontrarem novamente. Pela primeira vez em três anos, Deanna seguiu seu caminho sozinha, em busca de respostas que ela talvez nunca conseguisse ter.
Após meses de procura, entre objetivos de companheiros e contratempos com monstros, em um lugar além do Lago Allinthonarid e suas águas mágicas, está a cidade de Thenarallan ainda no reino de Sckharshantallas, o jovem draconato Huriel adentra a taverna “Coroa do Dragão” juntamente com os integrantes do grupo ao qual faz parte, mas como habitualmente fazem, se dispersam para não chamarem a atenção.
Por mesmo que este seja o reino-natal dos draconatos, sua raça não é tão numerosa à ponto de ser comum como os humanos, mas as informações sobre o clã ao qual pertencem podem ser notadas por olhos atentos e poucas coisas escapam do olhar de Balasar que o observa escondido enquanto joga cartas em uma das mesas. Terminando a jogatina, vencido por um esperto halfling. Juntando o dinheiro ganho, Seadoc sente-se intimidado ao ver o grande draconato Balasar se aproximar, mas o sentimento logo se passa ao ver o rosto carismatico de um líder respeitável.
– Muito bem pequenino, ganhaste de mim embora tenha dúvidas das circunstâncias. – Falou Balasar com uma voz tranqüila. – Fiquei sabendo que você é um bom informante, o que me poderia dizer sobre aquele outro draconato?
– Além do óbvio? Isto pode lhe custar algumas moedas pela informação, afinal eu sou o homem da informação, não há informação que eu não saiba ou possa descobrir, desde acontecimentos em reinos distantes, conflitos entre os nobres, localização de coisas ou pessoas, pois a informação é minha especialidade, basta me perguntar que...
Um pequeno saco de moedas cai na mesa à frente do halfling, interrompendo seu discurso sobre o grande mundo da informação. Seadoc olha astutamente para Balasar, guardando suas moedas e responde: - Fechamos este acordo, mas peço um adicional: quando terminarem de conversar, quero ir com vocês, preciso encontrar alguém que está junto do irmão dele. Claro que sei onde está, mas viajar para lá é perigoso. – Disse o pequenino com tanta certeza que até mesmo o próprio Balasar ficou com dúvidas. Como ele poderia saber tanto?
Ao final da tarde, um encontro foi arranjado por Seadoc, onde os draconatos Huriel e Balasar ficam cara a cara para uma conversa em uma casa pequena, mas bem arrumada no setor mais tranqüilo da cidade.
– Então Huriel? Está feliz com a direção que está rumando o nosso clã sob o comando de seu mestre Barash? – Iniciou a conversa falando francamente e sem rodeios, cruzando os braços e reclinando-se na cadeira.
Meio sem jeito, Huriel sem olhar nos olhos de Balasar responde lentamente: – Sei que devo o respeito ao meu mestre, mas as atrocidades que ele criou, eu não podia acreditar, não queria acreditar! Por isso estava procurando você, é o único que ele teme combater, além disso, não posso enfrentá-lo sem manchar minha honra.
– E sem manchar a arena de sangue! Huahauhau! – Interrompeu oportunamente. – Nem você, nem seu irmão são páreo para ele. Por isso tenho de juntar vocês dois nessa missão. – Voltou ao tom de voz sério e paternal.
– Sabe que não podermos lutar os dois contra ele. Ainda sigo o ditado: “lutar pela supremacia de sua raça e honrar seus antepassados”. Unidos derrotaremos os outros clãs draconatos e seremos os verdadeiros filhos do deus-dragão. – disse Huriel com o rosto cheio de orgulho, batendo no peito enquanto vê pela janela o sol se pôr.
Consternado, Balasar se levanta olhando fixamente para Huriel que corresponde ao olhar: – foi isso que aprendeu com Barash? Então preste atenção! O velho ditado se refere à união dos draconatos para que se mantenham íntegros perante o surgimento dos humanos e outros povos. Por isso os clãs estão definhando!
– precisamos então defender nossas tradições e unir os clãs como um só coração. – refletiu instantaneamente.
– exato! Felizmente agora você entendeu. Por isso seguiremos o plano de seu pai. – Aliviado com o entendimento, Balasar se senta novamente: – Transformaremos o comando do clã em uma di-monarquia, com você e seu irmão.
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