quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ESC # 11

Missão completada, objetivo conquistado, meta atingida. Seria formidável que ao conseguir nos tornássemos satisfeitos e pudéssemos viver tranquilamente em paz. Mas não é bem assim. Talvez no mundo utópico de Lena, a deusa da paz, mas não no mundo onde várias raças e monstros convivem, sempre surgem novas missões, novos objetivos, novas metas. Pois a verdade seja dita, as coisas nunca estão boas, ou aparentam não estar.

Seria a presença inicial de Valkaria, a deusa da ambição, que traz a insatisfação ao Reinado desde os primórdios de sua fundação? Seria o conflito entre os deuses pelo poder refletido no conflito entre as raças e os reinos pela supremacia? Querer estas e outras respostas já nos torna insatisfeitos. Insatisfação esta que nos move adiante, que nos impulsiona, que nos dá vontade de continuar, que nos torna o que somos, o herói de nossas vidas.



Todos nós temos objetivos, e Raziel conseguiu conquistar um deles. Mas assim como os demais, seus objetivos nunca terão fim. Alguns serão conquistados, outros por meio de terceiros, e poucos com o tempo. Com sua mãe salva do dragão Sdarak, e juntamente com a tribo agora sob a proteção de Balasar, isto lhe dá um tempo razoável para conseguir seu novo objetivo: conseguir enfrentar Barash pela liderança do clã.

Mesmo que consiga, ainda deve aprender á ser um bom líder, um grande líder, para guiar seu clã e seu povo rumo ao triunfo entre as outras raças. A honra e a glória os esperam em um futuro reluzente neste frente às previsões negras que todo o Reinado sofre. Devotos dizem que as pessoas estão com cada vez menos fé nos deuses que estão perdendo poder como um todo, poder este que está sendo sugado pela Tormenta.

Raziel parte para o sul de seu povoado para protegê-lo dos gnolls que estão rondando a área. Após isto partirá em busca de tornar-se um líder. Mas onde e como aprender isso? Isto pode levar mais tempo que o disponível sem a instrução certa. Focar-se nos objetivos é sua estratégia, sem distrações.

Soul of Fire avança pela savana e vista o grupo de gnolls em terreno irregular na savana quente de Sckarshantallas. Quando a estátua de Fergus, o Protetor apresenta reações mágicas, o grupo o ativa e entra no portal que se abre diante deles. Raziel focado em seu objetivo e não entra no portal, vendo a reação dos gnolls que ao longe avistam o portal que logo some, mas chamam a atenção deles na exata direção onde o grupo estava. Chegarão em breve.

Não por medo de estar sozinho e enfrentar estas criaturas temíveis, mas por arrependimento de não estar com seu grupo quando precisam dele. A vida também irá lhe ensinar a ser um bom líder e a experiência lhe tornará um melhor. Manter o grupo unido e em harmonia, designando prioridades e delegando funções. Liderar um grupo pode ser complicado, mas é um bom exercício para quem futuramente irá líder um clã inteiro.

Os gnolls passam a se aproximar com cautela, realmente viram algo, talvez até possam farejar a presença dos cavalos que ficaram fora do portal. Raziel tenta, mas não consegue mover a pequena estatueta. Atrás do morro observa as criaturas que parecem ter treinado duas estranhas hienas que farejam todos os lados. Equipado com sua brunea, empunha seu escudo e sua espada, esperando apenas o momento certo para atacar.

Minutos que parecem horas sob o forte sol de verão, Raziel se protege em sua nova capa, presente de Balasar, que reluz quase que imperceptivelmente ao movimento com um tom diferente da original. Ao cobrir a cabeça com o gorro da capa, percebe um pedaço de pergaminho preso à ele:

“Quando estiver pronto para se tornar um líder, encontre Yugnar Glirion, líder do clã Sangue Azzurra, no reino de Namalkah, levando este pergaminho com você. Ele irá lhe ensinar, ele me deve isto. Balasar Teroth.”

Ao guardar o pergaminho em sua mochila, avista os gnolls mais perto do que esperava e ao se levantar pronto para o combate, o portal se abre ao seu lado. Os gnolls avistam o grupo e partem ferozmente para o ataque, quando simultaneamente Raziel coloca o elmo e desce o morro com a altivez e confiança de um verdadeiro líder.

O planejamento do futuro baseado nos desejos e ambições de alguns tornam-se despropositada para outros que sabem e tem certeza de seus próprios futuros. Mas quem tem certeza sobre o próprio futuro? Muitos preferem acreditar que não há um destino já traçado para eles, de que o livre-arbítrio é dado para todas as criaturas. Mas não estaria previsto e escrito no destino o que estas pessoas fariam e pensariam?

Não existe um deus do destino, talvez pelo que acreditam que o futuro é incerto. Mas não consideraram a possibilidade de os próprios deuses não terem controle sobre seus destinos. O destino está além do poder dos deuses, seria este o poder supremo? Controlar do destino? Existem aqueles que conseguem prever pequenas partes do futuro com exatidão, e outros que conseguem profetizar acontecimentos através de enigmas e metáforas que precisam ser estudadas. Conta-se que só se descobre sobre o futuro se o próprio destino assim quiser.

Com apenas um pouco mais de um mês de estudos na Grande Academia Arcana, o jovem eladrin Kaliendir passou para o segundo ano por sua promissora habilidade com o manuseio da espada e do domínio dos poderes arcanos. Realmente deveria haver uma espécie de teste para determinar o nível de conhecimento do aluno.

Estaria o próprio destino ajudando Kaliendir? Sabe-se que ele terá uma vida curta em prol de um bem maior, mas quão curta? Será que algo está fora do padrão? Algo que nem o próprio destino esperava? Porque a pressa? Talvez não seja nada disso, mas Kaliendir passa a ter um sentimento de urgência, algo iminente está por vir. Ainda parece lhe haver algum tempo razoável, no ritmo que as coisas estão talvez seja o suficiente. Talvez.

Infelizmente o que virá a acontecer, quando, onde ou por qual motivo, Kaliendir não sabe. Passou a acreditar que neste caso nem o próprio destino sabe. De alguma forma, sabe que isto envolve sua irmã, ou envolvia. Será que ele irá dar a sua vida para trazer sua irmã de volta? Kaliendir tenta não pensar que ela está morta, não poderia estar.

Um golpe repentino lhe atinge ao baixar a guarda devido à sua distração momentânea. A espada de madeira o acerta mas não com força, por tratar-se de um treinamento. O oponente, sendo poucas dezenas de anos mais velho, puxa os longos cabelos prateados que ficam á frente do rosto ao inclinar-se estendendo a mão oferecendo ajuda à Kaliendir se levantar.  – Muito bom Valaethiel, faz juz ao nome que carrega, mas lembre-se “limpe sua mente”.

A voz de seu colega é clara e cheia de personalidade. Vindo de uma família de nobres eladrins que ainda vivem na Selva Feérica, está aqui como que por um intercâmbio, mas a cicatriz em seu ombro, da qual se recusa a falar, dá um tom de mistério à ele, que faz às pessoas mais próximas acharem que ele está refugiado aqui e que voltar para a Selva feérica não seja mais uma opção. Ou que esteja planejando um retorno quando chegar a hora.

Kaliendir estende a mão aceitando a ajuda. – Obrigado, mas isto não voltará a acontecer! Prepare-se! – Assim disse amigavelmente. A partir deste momento ambos reassumem a postura de combate. À frente Kaliendir forma-se um escudo translúcido de energia arcana azul, com um grande “V” branco sobre de uma lua, enquanto seu amigo e adversário possui também um, mas é verde e com um requintado “A” em um verde mais claro à frente de uma árvore cheia de ramos. Ainda trata-se de um treino, mas aparenta ser um combate sério, se não fosse pelos sorrisos no rosto dos combatentes. De qualquer maneira, o professor teve de intervir.

– Parem com isto! – Disse de forma enérgica o professor, um genasi do fogo. Sua pele cor de bronze com linhas que lembram formar o desenho de chamas brilham junto com o fogo de sua cabeça. – Senhor Becdelièvre d'Auberville e senhor Kaliendir Valaethiel, isto é um treino para aprender as técnicas de combate. A aplicação e simulação de combate real será matéria de estudo futuramente senhores. Se continuarem lhes darei uma amostra de como é.

Neste mesmo instante ambos param olhando um para o outro e como em transmissão de pensamentos, olham e se viram ao mesmo tempo sorrindo para o professor. – Estamos prontos para a amostra. – O professor sorriu, retirou seu manto, empunhou uma espada de madeira e num tom bem-humorado disse: – Esta é só uma amostra.

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