quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ESC # 12

Lembranças. Um tipo conhecimento de muito considerado pelos devotos de Tanna-Toh, mas tão obscuro e ardiloso pode ser. Esquecemos algumas e outras ficam gravadas na memória para sempre. Muitas vezes elas não são como realmente nos lembramos, a mente pode nos pregar alguns truques, alterar ou substituir algumas lembranças. Mas Tanna-Toh faz isso apenas para nos proteger. Faz isso para o nosso bem. Para nos proteger. Assim esperamos.

Os filósofos falam que todo o conhecimento deve ser compartilhado, registrado e lembrado. Isto parte dos princípios da própria Velha Sábia Tanna-Toh, mas estaria correto? As opiniões são divididas. Uma parte alega  que uma informação, mesmo que verdadeira pode acabar com muitas outras, deturpar a percepção, enlouquecer uma mente, mudar conceitos e padrões, provocar o bloqueio e o esquecimento de uma vida inteira, fazendo com que informações, conhecimentos e descobertas inestimáveis possam ser perdidas para sempre.

Traumas da simples visão ou qualquer experiência mais aprofundada em relação à Tormenta causou muitos destes distúrbios em uma incontável quantidade de pessoas. As mentes foram dilaceradas e poucas delas tiveram todo o mal da Tormenta bloqueado no mais profundo do subconsciente, mas que um dia voltarão à tona num efeito tão devastador, que se não estiverem preparadas trarão consigo uma morte pior do que podemos imaginar.



Sonhos. Felizmente algumas lembranças esquecidas podem ser acessadas de forma inconsciente, mas estas são as mais ardilosas, pois elas não são como realmente eram, ou se transformam no que gostaríamos que fosse. Deve-se ler e interpretar as entrelinhas, os significados metafóricos dos signos e sinais que eles representam. Estas são as dicas para a verdadeira lembrança. Lembrança esta que esquecemos pois Tanna-Toh está nos protegendo. Quando poderemos lembrá-la? Quando estivermos prontos, prontos para encararmos e lidarmos com a verdade.

Verdade. Qual seria a verdade de Deanna? Seus sonhos compõem a verdade? O que seus signos e sinais metafóricos querem dizer? Durante muito tempo os sonhos se repetiam noite após noite, mesmo com a ajuda de Romeck e os devotos de Tanna-Toh, que puderam passar apenas algumas impressões sobre as possibilidades de interpretações dos sonhos, nada havia mudado nos três anos que seguiram após seu despertar da amnésia.

Apenas quando se envolveu com um certo grupo de aventureiros, denominados Soul of Fire, foi que Deanna passou a ter um outro sonho, algo como uma nova peça do quebra-cabeça de sua mente que ainda não tinha visto.

“De local escuro, a fresta de uma porta fornece o que parece ser a única fonte de luz. Ao aproximar-se, logo vê se tratar de um local suntuoso, altamente adornado, castiçais e luminárias intensificam o brilho do ouro dos objetos da sala, que em um dos cantos possui um cavalete com uma tela. A pintura já está iniciada, mas longe de estar terminada, tratando-se ser o retrato de um homem nobre. Nota possuir manchas de tinta na mão ao empurrar a porta, que ao ser totalmente aberta, um grande pássaro negro e careca voa sobre sua cabeça entrando na sala. Uma voz feminina familiar pergunta “-Quem está aí?”. O pássaro olha diretamente em seus olhos e a porta se fecha.”

Nem toda a noite Deanna sonha, e seus sonhos cíclicos recorrentes diminuíram, mas ainda continuam presentes. Entretanto este novo sonho passou a se apresentar com mais frequencia. Mas porque não todas as noites? Porque só algumas noites? Porque surgiu um novo sonho? E o que ele significa? O que desencadeou isto? Teria sido algo relacionado ao grupo Soul of Fire? Ou só à algum integrante?

À cada resposta, novas perguntas se formam. Seu mestre e mentor Romeck parece-lhe ser a única pessoa no momento à quem Deanna pode recorrer para lhe ajudar a interpretar este novo sonho-enigma. Entretanto ele está petrificado, mas seguro na Grande Academia Arcana. Estariam bem sua alma e sua mente apesar do corpo estar neste estado? O que poderia acontecer? Qual a maior dificuldade para se despetrificar alguém?

Sem poder ajudar à si mesma, precisará da ajuda de terceiros para encontrar e juntar as peças , só assim montará o quebra-cabeça em sua mente que mostrará a verdade sobre seu passado e todas as respostas sobre “L”.
Arrependimento não é uma palavra muito comum na vida deste jovem meio-elfo bardo, mas em tão pouco tempo, uma quantia enorme de arrependimentos lhe vieram todos ao mesmo tempo em sua mente.

Talvez fosse melhor se tivesse permanecido em Hershey. Deveria ter treinado com mais afinco na Grande Academia Arcana para estar melhor preparado. Viajar como aventureiro pode ter sido perda de tempo. Abandonar Lilian, a futura mãe de seu filho não é uma atitude louvável. Corromper-se à uma entidade desconhecida foi altamente perigoso, mesmo que seja para salvar a própria mãe Ellyn, ela provavelmente não aprovaria esta atitude. Corrompeu condenando a alma de alguns inocentes. Desligou-se do grupo ao qual uniu-se temporariamente de modo abrupto e não muito amistosa, sem agradecimentos ou considerações. E agora está retornando ao ponto de partida.

Difícil é a vida de um homem que vive de suas decisões. Sendo um meio-elfo, agradece por manter o vigor jovem de elfo, e de viver pouco tempo como um humano. Talvez não suportasse ver sua beleza definhar com o passar dos anos como um humano, ou de agüentar o arrependimento de suas decisões por séculos como vive um elfo.

Um novo rumo agora Beinion toma. Focando-se em seus objetivos, para não mais lhe trazer arrependimentos, fica mais recluso, mais introspectivo, mais distante. Estas não são as atitudes de um bardo e Beinion mal pode notar esta transformação. Mas as pessoas mudam com o passar do tempo, assim como as estações, e o verão está acabando.

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Na Floresta Proibida, em meio à densa vegetação vive a tribo Bark Tulehk, que defendem com uma devoção quase fanática os Dólmens de Allihanna (chamada aqui de Ursa-Mãe) localizada na única clareira desta floresta. Local sagrado, ninguém além dos integrantes da tribo ou devotos de Allihanna podem entrar. As enormes pedras na formação retangular possuem o poder sagrado de curar qualquer doença ou maldição, inclusive mágicas.

Apesar de pacífica, os Bark Tulehk são a tribo mais selvagem dos bárbaros. Possuem poucos avanços tecnológicos, mas vivem bem e satisfeitos com o que tiram da natureza, mantendo-se neutros quanto à questões políticas. Mas como em todo rebanho, uma geração ou outra acaba por aparecer uma ovelha negra. A grande maioria de humanos com alguns Ferais, um dos raros de sua raça na tribo seria esta exceção, conhecido como Garra Deslocadora.

A tropa que Garra Deslocadora integra atualmente tem como função patrulhar a fronteira de Faran com Tahnen, uma vez que o comportamento caótico do reino-menor vizinho é imprevisível, apesar de muito sãos em relação a negócios. Mas a vida de Garra Deslocadora parece estar entrando em uma rotina incômoda para ele.

Uma vida sem desafios, não satisfaz o espírito explorador e competitivo de Garra Deslocadora, superar desafios é seu estilo de vida, sempre foi. Tornou-se um bom caçador muito jovem, “com uma ousadia que beira à estupidez”, como dizia seu pai, tanto que preferia caçar animais com espadas, lanças e machados, ao invés de arco e flecha. Após sua separação abrupta com a família decorrente de um ataque surpresa de orcs, onde tentou salvar seus irmãos de horríveis monstros caninos, acabou encurralado próximo a uma cachoeira.

Quando o inevitável estava para acontecer, de longe, sem conseguir enxergar direito por através dos monstros, o que parecia ser um dos orcs lança uma magia, alguns que já ouviram sua história disseram se tratar de uma “rajada mística”, em sua direção ao mesmo tempo em que seu pai corre em sua direção e põe-se à frente, recebendo o golpe, que faz ambos caírem pela cachoeira.

Ainda atordoado, tem a ligeira impressão de que o braço de seu pai lhe tira das águas, para só então mais tarde descobrir estar sozinho, e assim permaneceu durante muito tempo. Sem nada nem ninguém, só o acaso poderia fazer com que fosse encontrado por nômades ciganos chamados Vistani, que interpretando os modos de vida dele, decidiram levá-lo para o reino que é famoso por estes indivíduos, União Púrpura, o reino dos bárbaros.

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