Observando o topo de uma árvore, o experiente lenhador anão Bonarin Liannon estranha a movimentação de suas folhas, como se os ventos estivessem mudando durante a estação, mas não sabe o que poderia ser de tão estranho que é. Empunhando seu machado extremamente afiado apesar do constante uso retorna para casa após mais um dia de trabalho. Bebendo uma cerveja, descansando próximo à lareira vestido em seu sahurim, um enorme poncho xadrez verde, preto e vermelho, cai no sono como em tantas outras vezes.
Os sonhos são bem raros para este anão, como o trabalho é pesado, o cansaço é extremo e a mente descansa junto com o corpo, mas não desta vez. Talvez a falta de costume tenha sido um fator para a falta de compreensão, palavras soltas, palavras sem sentido e sensações estranhas não deixaram claro do que se tratava o sonho.
Bonarin via seu primo Romeck, que não parecia estar totalmente ali, que parecia aflito em lhe dizer algo de certa urgência. Palavras como “monstro”, “caminho”, “humana”, “ajuda”, “morte”, “pedra”, “vizinho”, “sangue”, “ouro”, “família”. Acordando meio atordoado, confuso com aquela sequência de imagens e palavras entrecortadas, passou a ser uma pessoa mais pessimista e a beber mais do que normalmente bebia.
Aquele sonho mexeu com o anão, quase conseguia sentir as mesmas coisas que sentiu durante aquela noite. Desconcentrou-se do trabalho com esta preocupação, seu rendimento está caindo aos poucos. Quanto mais pensa no que pode significar o sonho que não o abandona quando acordado, mais curioso e pessimista fica.
Sendo amigo do regente de Trodarr, desabafa sua angústia, que releva a situação como um stress causado pelo trabalho exaustivo, aconselhando-o a escolher um período para férias. Recomenda que visite Follen, a mais bela cidade do reino. Muitas pessoas de outros reinos visitam Tollon apenas para conhecer esta cidade.
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Vincent constatou que realmente o grupo misterioso estava atrás da arma possuída por Hades, não estavam atrás de vingança. Estudando os integrantes, se informando, observando e ouvindo atentamente, descobre que são pessoas com alguma alteração ou mutação corporal. Por poucos momentos em alguns deles pode constatar a presença de algo no corpo deles. Algo medonho, que não pode ser natural e aparentemente não pode ser benigno.
O humano Glaesh parece ser o líder deste grupo que se intitulou Caçadores da Alvorada, que estão havidos em sua busca, mas foram atrasados por uma tempestade mágica em Wynlla e felizmente perderam Hades de vista. Esta foi a deixa para Vincent procurar seus antigos companheiros, para ajudá-lo a re-estabelecer sua guilda.
Valdaglerion relembra as musicas que compôs durante as aventuras que tiveram. Ainda canta os feitos heróicos nas tavernas que freqüenta em Petrynia, mas se diz muito velho para retomar a vida de aventureiro e ajudar Vincent que lhe conta a história de Hades, seu promissor aluno, a espada misteriosa e a peculiaridade do grupo que a persegue.
As palavras de Vincent causam um espanto inesperado. A história é até interessante, mas não chega a ser tão impressionante para alguém que vive em Petrynia, mas Valdaglerion estava com a mesma aparência de quando viu um fantasma pela primeira vez. O comportamento do bardo mudou drasticamente.
Antes todo solícito e saudoso, agora todo arredio e rancoroso, manda o velho companheiro ir embora, que não se conforma com a situação. Utilizando suas técnicas, imobiliza o bardo sacando rapidamente sua rapieira e lhe força a dizer a verdade. Os métodos persuasivos de Vincent sempre foram eficazes e Valdaglerion não teve alternativa.
- devo lhe confessar velho amigo. - disse o bardo. - meu segredo, que trará um fim trágico ao destino de todos.
Após ter conquistado novamente as montanhas ao norte do reino, exilando as tribos bárbaras aos pontos mais remotos da cordilheira, e finalmente depois de tantos anos, o subterrâneo destas montanhas é domínio orc. As tribos bárbaras, sem poder de reação, pois perderam seus líderes, se unem na esperança de que as coisas vão melhorar. Apesar das dificuldades, as tribos ainda competem, até entre integrantes da mesma tribo.
Escravizados, golias e ferais fazem os trabalhos mais degradantes e de esforço sobre-humano para sobreviverem na cidade-forte de Kurikondir. Desconfiados demais para acreditar na submissão total dos escravos, os orcs mantém um número relativamente pequeno deles em vista do que poderiam ter. Além de não quererem uma rebelião interna, traição e outros infortúnios, a fome dos orcs acaba por trazer o fim aos escravos insubordinados.
Ainda na superfície, a entrada do forte mantém algumas estruturas e edificações rústicas, mas fortes onde ficam as tropas da guarda da cidade e onde se faz o ínfimo controle da saída das tropas. É deste forte que Hourk comanda suas tropas e supervisiona o trabalho dos escravos. O subterrâneo já está dominado e a vingança se iniciou.
Orcs se reúnem no pátio do forte. A Presença imponente de Hourk inspira seus soldados e generais fiéis.
- façam os humanos sentir a força dos orcs! Não deixem ninguém vivo! Que se inicie o Massacre da Vingança!
As tropas que saúdam o líder. Em comemoração, os orcs fazem de vários escravos o jantar daquela noite. Água suja de poços mal construídos é a bebida da noite, onde apenas o líder e generais bebem vinho e cerveja saqueados das vilas próximas. O resto das carcaças mal aproveitadas é jogado aos escravos sobreviventes, companheiros, amigos e familiares retornando aos pedaços ainda reconhecíveis por pequenas características, desolam aqueles que sabem que amanha certamente será algum deles que estará ali, apodrecendo no esquecimento sem esperança.
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As hordas de orcs massacram as vilas do lado oeste do reino de Lomatubar. Todas as pequenas vilas e aldeias são dizimadas, queimadas até o chão, ou tomadas como centro de acampamento de orcs. Tudo isso conquistado com a maior brutalidade e selvageria que se possa imaginar, nem mulheres e crianças são poupadas. Vermelho se torna a cor do chão e o cheiro de ferro está impregnado nas áreas de massacre.
Sob as ordens do comandante Rugor Stonewill, o braço direito de Hourk, posto conquistado por ter matado o antigo vice-líder que já caiu no esquecimento, instrui as hordas a avançarem cada vez mais. Mais selvagem e brutal que Hourk, Rugor também é menos experiente. Esta falta de experiência que o manteve em segundo lugar no comando. Claro que quando Hourk o escalou como comandante das tropas que iriam iniciar o “Massacre da Vingança” uniu o útil ao agradável. Torná-lo mais experiente e matar humanos.
Vila após vila, aldeia após aldeia as tropas marcham. Destruindo tudo e a todos que encontram, as resistências oferecidas pelos humanos causam poucas baixas. O maior problema de Rugor está no ambiente diferente ao que os orcs estão acostumados, mas Rugor mantém a moral e a disciplina militar rígida à unhas e dentes, fazendo as tropas seguirem em frente mesmo que o ataque de Feras-Coral tenha sido o maior motivo de mortes em suas fileiras.
Estes animais enormes altamente bestiais estão espreitando a toda parte após sofrerem uma mutação com a doença da Praga Coral. Lobos, tigres, javalis, gorilas, todo tipo de animal pode ser afetado, agora são conhecidos como Feras-Coral, não importando qual tipo de animal era, passam a se considerar uma única espécie, mais inteligente, maior, mais rápida e mais forte, agem em bandos não apenas para caça, mas para matar mesmo sem motivo.
No escuro da noite o orc batedor no alto de um grande pinheiro avista a cidade de Ralandar e sorri sarcasticamente.
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