Protegendo seus companheiros, até que todos eles estejam em segurança, Raziel se vê como o último a entrar na cabana, escapando do ataque dos guerreiros povo-lagarto que visivelmente estavam sendo controlados por um poder superior. Mas sob o batente da porta, sente uma picada de um dardo em seu pescoço ao mesmo tempo em que salta para se agarrar à borda do buraco.
Sente seu corpo ficando frio, seus músculos não respondem aos comandos, seu corpo paralisado só lhe permite ver-se cair ao mesmo tempo em que seu olhos se fecham. Fechados durante muito tempo. Tanto tempo que nem sabe o quanto. Quando consegue abri-los, percebe estar em uma carroça que antes o grupo não possuía.
Perguntas lhe vêm à mente, dezenas delas, mas nada pode fazer antes de comer. A fome é grande, só não maior de quando despertou de seu coma devido à simples visão da Tormenta. Com o cesto de Provisões Infinitas ofertado por Narwain, a visão de Raziel comendo só não é tão horrível e grotesca devido à boa comida e à expressão de satisfação em saciar sua fome. Apesar de ter comido bem, sente um pequeno vazio, não incomoda, mas é estranho.
O grupo continua viagem já saindo do território pantanoso, de onde criaturas humanóides em meio à densa vegetação se esgueiram entre os cipós observando as ações do grupo que se dirige à cidade de Trodarr.
- já estão fora do alcance quando ele finalmente acorda, que droga! – resmunga um deles sussurrando.
- parecem ser aventureiros, viajam para vários lugares. Mais cedo ou mais tarde passarão aqui novamente. – respondeu o outro também em tom baixo para não despertar a atenção dos viajantes.
As criaturas em meio à névoa mergulham na água turva do pântano onde nada se pode ver, nadando até uma entrada submersa, tão longa que apenas quem sabe o caminho ou possui grande capacidade pulmonar para procurar, podem entrar e sair de lá. Uma caverna totalmente escura, com apenas uma fraca iluminação local vinda dos poucos e raros cogumelos, conseguem dar uma vaga noção das formas e dimensões de seu interior. O som de pequenos metais é abafado por uma grande risada sádica e retumbante, atrelados a um grito desesperador.
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O início de uma comunidade não é simples, os pensamentos diferentes dos vários novos integrantes colocam todos em uma crise onde apenas o tempo e/ou um ato muito destoante pode fazê-los olhar para uma mesma direção.
Isolados em pontos extremos, os sobreviventes das tribos do norte de Lomatubar se reúnem. Sem local fixo para se estabelecerem e temendo novos ataques de orcs, mantém acampamentos fáceis de serem desmontados em caso de necessidade, mas sempre montando uma torre de vigia.
Os Urautog é a maior tribo sobrevivente. Foi uma das primeiras tribos a serem atacadas, mas seu costume em manter torres de vigia lhes deu a vantagem perante às outras poucas tribos. Derrotados, perderam muitos de seus integrantes, inclusive seu líder, para os orcs. Vagaram pelas montanhas procurando a ajuda das outras tribos e as encontraram dizimadas ou com sorte alguns sobreviventes.
Tanto tempo se passou que nem se sabe o quanto, mas após visitar todas as tribos conhecidas da região, acreditam ter encerrado a missão de encontrar os sobreviventes. Agora o que fazer? Esta é a grande questão.
As tribos bárbaras respeitam muito a hierarquia, líder da tribo, líder espiritual, líder dos guerreiros, todos que estão no comando são altamente respeitados, pois conquistaram seu posto por mérito. Substitutos vêm ao se mostrarem superiores ao líder atual em desafio. Mas não há líderes e há muita briga sobre quem deve ou merece ser.
Os irmãos Pruor e Pontk O´Drusg são grandes campeões, mas não conseguem convencer que merecem liderar, causando a revolta deles mesmos contra a comunidade e uma grande briga entre as três tribos remanescentes.
Com as tropas de orcs avançando sobre as aldeias e vilas, os poucos que conseguem fugir procuram refúgio nas florestas densas mais próximas. A sede de sangue dos orcs e o ódio pelos humanos e semi-humanos resulta em um massacre sem igual, algo que os habitantes de Lomatubar nunca haviam visto.
Mesmo que consigam fugir, sua segurança não está garantida, muito pelo contrário. As Feras-Coral espreitam em todos os lugares, caçam e matam tanto os humanos quanto os orcs. Seres bestiais matam por puro instinto de selvageria, diferente dos animais comuns que caçam para comer. Apenas as grandes cidades têm maior chance de sobreviverem e trazer segurança às pessoas. Mas não por muito tempo, isto é fato.
Josielandira, líder dos Espadas de Allihanna está comandando seu grupo à monitorar o avanço das tropas orcs para alertar as aldeias e vilas do perigo iminente. Os orcs são rápidos, marcham pelas estradas e não enrolam com o que deve ser feito, sua sede de sangue os move à frete. Já os Espadas têm toda a dificuldade de fazer caminhos tortuosos pela floresta, evitar os perigos e principalmente as Feras-Coral, além de cuidar dos sobreviventes e levá-los para fora do reino, tudo isso silenciosamente para que os orcs não os percebam.
Rumando em direção ao sul, sentem-se ressentidos em não poder ter percebido os primeiros ataques no norte. Muitos vilarejos dizimados sem a menor chance de escapatória. Só lhes resta avisar as cidades do sul para que fujam. Após tantas notícias ruins, um batedor retornando do norte trás uma feição de satisfação:
- algumas tribos do norte sobreviveram, estão em segurança em suas montanhas até o momento. – diz o batedor.
A elfa druida comove-se com a noticia, mas logo para pensativa: - estamos reunindo os sobrevivente à leste do reino, os orcs irão destruir tudo. Mesmo depois das cidades, as tribos também serão caçadas.
- eles só irão fugir após resgatarem seus familiares, mas as brigas entre as tribos sobreviventes os deixam sem ação.
- se ao menos Taruk Greenhoody estivesse aqui. Uma lenda sempre é respeitada. – diz Josielandira.
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Após uma longa viagem, que levou dias e mais dias, montados em cavalos, as pernas doem, nas juntas e os músculos dormentes mal sustentam os corpos destes viajantes. Além disto, sobre um cavalo há muito pouco o que fazer, além pré prestar atenção no caminho e conversar com os companheiros de viagem.
Mas a viagem é silenciosa, onde se fala apenas o necessário. O clima pesado e a tensão que se formou neste grupo tornaram seus integrantes mais pensativos e cautelosos. Sentiam que algo estava errado ou que iria acontecer algo negativo, mas nem mesmo Deanna com sua devoção à Tanna-Toh, a deusa do Conhecimento poderia saber o que é ou mesmo prever o futuro, pois seus pensamentos então confusos.
Após tanto tempo Deanna tem um novo sonho. Começava a se perguntar se suas conclusões estavam certas, se sua presença no grupo lhe ajudaria a trazer sua memória de volta, mas este sonho é diferente dos outros.
Em uma cidade construída quase que totalmente de madeira, Deanna se vê em uma casa feita de troncos vê em sua frente uma caixa de guardar livros de metal, com inúmeros detalhes, destoando do local rústico. Na lateral um cilindro repartido em seis partes exibe números como a senha de uma tranca. Ao pegar a caixa, os indicadores numéricos alteram para 000000 e um barulho fraco de destravamento é ouvido.
O anão que lhe entregou está satisfeito por fazê-lo, Bonarin está guardando este objeto à uns 2 anos à pedido de seu primo Romeck. Disse-lhe que um dia entregá-la à uma humana chamada Deanna Verloren para ela “encontrar sua verdade”. Deanna ouviu falar deste objeto, o Diário Verdadeiro, algo que pode mostrar toda a vida de uma pessoa.
Com a caixa em mãos, abre-a lentamente, matando a curiosidade aos poucos. A fresta permite apenas uma espiada.
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